segunda-feira, 30 de março de 2009

"Quem se apaixona,cria uma possibilidade"(Tom Jobim)

Olha só,ouvi uma frase linda no rádio,ontem:"Quem se apaixona,cria uma possibilidade"(Tom Jobim).
Quando a ouvi,pensei imediatamente em nossa conversa na aula da última quarta-feira,quando as coisas clarearam tanto,salve Santa Clara,para os que tem fé,dizem que os santos e os deuses,falam conosco, pobres mortais,nas entrelinhas,através de uns toques ou algumas dicas que aparecem às vezes em nossa vida.Eu considero ter escutado esta frase,distradiamente que estava,em um domingo a tarde,ouvindo um programa de rádio,um encerramento maravilhoso para as conclusões a que cheguei em relação a capacidade do ser humano de fazer qualquer coisa que se queira e a possibilidade de fazer algo muito bom,quando nos sentimos confortáveis,desejosos e o meio nos ofereça instrumentos para tal,essa tríade torna possível realizar qualquer atividade,inclusive a escrita.
Observe que esta frase veio de alguém que é muitíssimo competente no que faz,o que a torna ainda mais bela e embasa e ratifica o seu significado.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Reflexões sobre os textos da Rachel de Queiroz


Refletindo sobre os dois textos da escritora Rachel de Queiroz o "Escrever" ( O Estado de São Paulo, 25/03/2000) e "A inspiração não vem para todos" ( O Estado de São Paulo, 25/03/2000) fiquei pensando que os textos nos dizem das dificuldades que encontramos para produzir uma escrita e que mesmo os que tem, o que ela chama de vocação literária, encontram as suas dificuldades pelo caminho.

Algumas vezes discutimos em sala se o dom é ou não uma prerrogativa para que possamos escrever e fico a pensar em outras palavrinhas tais como inspiração, sensação ou impressão que parecem significar coisa nenhuma. Me refiro ao conceito dessas palavras, eu particulamente tenho bastante dificuldade em compreender o conceito das coisas, só as decifro em cima do concreto, por observação ou por conclusão.

Quando a Rachel de Queiroz se queixa das dificuldades que encontra para escrever, penso que se a escritora não estaria vivendo algo assim como um período de colheita de dados ou assimilação de novas idéias para uma futura produção literária.

Acredito em habilidades específicas e o meio em que vivemos as desenvolve ou as subtrai. Considero escrever, uma tarefa para os não preguiçosos, é trabalhoso e achei interessante a Luanna relatar em seu blog que anota tudo em caderninhos para não esquecer. A Rachel de Queiroz diz a mesma coisa em seu texto. Por conta disso cheguei a conclusão de que penso bastante mas não faço anotações e por tanto perco as idéias. Algumas estratégias são tão importantes para escrever quanto a habilidade e só praticando bastante é que formaremos um estilo.

Achei engraçado quando a escritora diz sobre o entusiasmo da família nos feitos das crianças, é a projeção que fazemos nos filhos e que provavelmente nossos pais fizeram conosco.

Se chegamos a identificar as nossas habilidades, a nossa escrita melhorará desde que nos dediquemos ao texto por horas, dias, meses e até anos, e mesmo assim, as vezes a tarefa não estará concluída. E continuamos a catar feijão e torcendo para não desprezar um grão que faria toda a diferença no resultado final.

terça-feira, 24 de março de 2009

A Louca da casa


Escolhi a " A Louca da casa" por ser de autoria feminina e fiquei pensando se a louca neste caso seria a própria autora considerada louca por ela mesma e por seus familiares justamente por ser uma escritora. Será que a escrita e a loucura são parceiras?
Não,as vezes talvez, mas neste caso a " A louca da casa" é a imaginação. ( "A imaginação é a louca da casa" é uma frase de Santa Teresa de Jesus).
Em " A Louca da Casa", a autora Rosa Montero, mistura ensaio e auto-biografia e fala do processo de criação artística.
A autora nos diz que inventamos nossas lembranças e para exemplificar nos conta no decorrer do livro três situações diferentes partindo de um mesmo episódio inicial, de maneira que a muitíssima conversa fiada quando nos narramos.Segundo a autora nós praticamente nos inventamos quando nos relatamos.
Segundo Rosa Montero o romancista profissional sempre quer escrever sobre a escrita, e assim, eu me lembrei que em sala de aula nós comentamos que quando o escritor tenta descrever a própria escrita é muitas vezes um olhar fantasioso e cheio de imaginação sobre si mesmo e assim o texto vai ficando impreciso e confuso. Em alguns momentos durante a leitura deste livro eu detectei esta imprecisão com relação ao ato de escrever.
Nos diz a autora que o escritor esta sempre escrevendo e mesmo que mentalmente vai deslocando virgulas, trocando verbos, afinando um adjetivo e anotando ideias para não esquecer, mas Rosa Montero considera que mais importante que as palavras é a imaginação e que a imaginação nos torna parecidos com as crianças mais do que com os lunáticos. Quando ela lê uma notícia no jornal já começa a imaginar a cena com riqueza de detalhes ou as vezes na fila de um banco observa alguém e já começa a fazer fabulações.Talvez mais tarde esse alguém vire um conto ou um romance. Segundo a autora fantasiar é fundamental para inventar outras vidas.
A escritora nos diz que as vezes está tão inspirada e tão cheia de palavras e imagens que escreve com leveza e também acontece de escrever muito acima de sua capacidade, e as vezes, apavora-se ao não encontrar inspiração e assim escrever palavras ruins e textos inferiores. Pode-se até reescrever o texto mas depois de delimitar a idéia com palavras é dificil voltar a ter a mesma liberdade criativa de antes,diz a autora.
Para Rosa Montero, escrever é uma maneira de pensar e deve ser o pensamento mais limpo, mais livre e mais rigoroso possivel, é um processo lento.
Segundo a autora escrevemos para nós mesmos em primeiro lugar, mas também precisamos ser lidos. O romacista talentoso pesca imagens do inconsciente coletivo e faz com que entendamos melhor nossas vidas.
Os escritores deveriam superar a vaidade e não depender tanto do que dizem os outros,é o que nos diz Rosa Montero, o problema, é que para ser um bom escritor é preciso desejar sê-lo. Sem a ambiação de criar algo bom não é possivel escrever bem.Temos que fazer um esforço constante para escrever na fronteira do que não sabemos.
A escritora diz que há autores que estão sempre girando em torno do mesmo tema e os que avançam sem parar por assuntos diversos,diz tambem que não existe literatura de mulheres, mas sim literatura sobre genêros humanos e também os diversos genêros literarios, tais como jornalismo, poesia, etc., tem suas normas e é preciso respeita-las.Rosa Montero acredita tambem que a leitura é um vicio de todo romancista.
Os ruidos da vida real atrapalham,segundo a autora o escritor pega um nome, uma cara, um espisódio e começa a modifica-lo, dando-lhe outra forma,isto é fazer "A louca da casa" fluir com liberdade, mas não é fácil, porque podemos ficar paralisados pelo medo do fracasso.
Rosa Montero,assim como outros escritores sobre os quais já conversamos em sala,defende a escrita como uma necessidade para quem escreve e diz coisas muito uteis para quem quer escrever tais como a imaginação vem da observação e da leitura e que não temer o fracasso é libertador.

terça-feira, 10 de março de 2009

Lygia Fagundes Telles

Livro: Como Escrevo?
Autor: José Domingos de Brito
Editora: Novera



" Escrevo de uma vez. Quando vem, sai assim encachoeiradamente, com muita paixão. Depois deixo dormir, deixo amadurecer como um fruto amadurece. Em seguida, eu volto e retomo. Esse seria como um trabalho de artesanato. O primeiro impulso é importantissimo que fique gravado como eu escrevi. Depois, então, eu tiro uma palavra aqui, corto outro ali diante, acrescento uma substituo outra. É justamente como um artesanato. (...) Não tenho rotina nenhuma. Sou uma indiciplinada. Mas não escrevo diariamente. As vezes escrevo seguidamente, sem parar. Depois faço pausas, aí entro novamente. É aquilo que o Eclesiastes dizia: Tudo depende do tempo e do acaso. Muitas vezes estou cansada, porque fui a uma festaou a um compromisso, mas me dá aquela vontade desesperada de escrever. Então eu deixo tudo e lá vou. Eu sei que é preciso pegar aquele instante quente, como no amor. Acho que escrever é um ato de amor. E o amor não pode ser adiado."

Fonte: SÁ, Sérgio de. Correio Braziliense, 1° de março de 1998

" Eu trabalho muito sobre o meu texto, é muito intensa a minha luta com a palavra. É impossivel explicar essa luta. Eu sei que há outros escritores que explicam isso muito bem, eu não consigo fazer. Explicar, determinar e analisar essa luta é impossivel Preferiria que o leitor lesse um texto meu e, atarves dessa leitura sentisse o trabalho que houve por tras nos bastidores. Meu texto, às vezes, é muito elaborado, escrevo e reescrevo. A busca da palavra ideal é dificil, é um oficio dificil. É dificil escrever: É o que eu posso dizer. É dificil escrever, como é dificil viver... Ultimamente estou exigindo um certo metodo porque se eu for bscar apenas os instantes em que estiver, digamos, inspirada, esses instantes são muito raros. É preciso se sentar ficar numa iciplina de atenção e de disponibilidade. Eu preciso estar disponivel para escrever. É importante criar a minha ciscunstância disponivel."


Fonte: RICCIARDI, Giovanni, Auto-Retratos.
São Paulo, Martins Fontes, 1991.